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Confira o depoimento da Fga.
Roberta Alvarenga Reis
Atualmente é sempre um desafio falar sobre
a nossa profissão e garantir uma mensagem positiva e de estímulo
para aqueles que desconhecem o trabalho do fonoaudiólogo
ou intencionam seguir essa profissão.
Talvez contar um pouco de minha trajetória auxilie a reflexão
e incentive as pessoas que gostam de desafios! Eu ingressei no curso
de Fonoaudiologia, minha primeira e única opção
no vestibular, motivada pela possibilidade de atuar na área
de pessoas com deficiência, mais especificamente, pensava
no trabalho voltado aos deficientes mentais. No entanto apenas durante
o curso conheci a ampla área de atuação - e
olhem que há cerca de 20 anos, nem tínhamos tantos
campos como hoje! Me apaixonei, ao final do curso, pela chamada
à época, Fonoaudiologia Preventiva, ministrada pela
profa. Maria Teresa Pereira Cavalheiro, a nossa querida Bibi.
Decidida a trabalhar nessa área, busquei imediatamente qualquer
chance de inserção no serviço público
que, a meu ver, poderia oferecer melhores oportunidades, já
que concentra a maioria das escolas brasileiras, em todos os níveis
educacionais. Após dois anos, realizei meu desejo! A atuação
nessa área é naturalmente complexa, pois este não
é tradicionalmente o nosso local de atuação,
nem sempre compreendem o nosso papel na promoção e
prevenção de saúde, ansiosos que somos pela
resolução de problemas - geralmente crianças
com alterações de fala, linguagem oral ou escrita,
audição e motricidade oral. Mas o desafio e as pequenas
conquistas diárias são gratificantes aos que têm
paciência e reconhecem que a mudança de hábitos
e posturas é um processo longo e contínuo.
Paralelamente, fui convidada para atuar com audiologia em consultório
particular e segui para a especialização nesta área.
Sempre motivada em buscar novos conhecimentos, a realização
de outros cursos de especialização (em psicopedagogia
e em competências gerenciais públicas) e a entrada
no mestrado voltado para a saúde pública pareciam
naturais.
Em 2001 tive a oportunidade de compor uma chapa para atuar como
conselheira no CRFa 2ª região. Outro desafio: conhecer
o funcionamento de um órgão de representação
da categoria e mais, poder fazer algo por nossa profissão.
Com um pequeno grupo de trabalho, mas muito comprometimento, conseguimos
colher bons frutos, sempre superando as dificuldades. Como grandes
produtos, destaco as discussões e documento sobre a atuação
fonoaudiológica na atenção básica, que
na época chamávamos apenas de PSF (Programa de Saúde
da Família) e o Manual de Atuação Fonoaudiológica
nas Políticas Públicas: subsídios para construção,
acompanhamento e participação dos fonoaudiólogos
(ambos disponíveis no site do conselho www.fonosp.org.br).
Paralelamente (sempre tem um paralelo na minha trajetória!),
o meu casual envolvimento na criação e diretoria,
do então denominado, Comitê de Saúde Pública,
marcou definitivamente a minha trajetória profissional. A
reaproximação com Bibi, e a oportunidade de conhecer
outros atores fundamentais e anônimos na fonoaudiologia, dos
quais cito Fábio Lessa, Sandra Vieira, Andréa Bonamigo,
Valentina Rodrigues, Márcia Fabrício e tantos outros
que se seguiram. Atualmente me encontro, em tese, afastada dessas
atividades todas, a fim de me dedicar ao doutorado, por hora, minha
meta principal.
O que eu poderia dizer aos que iniciam a carreira é que busquem
o conhecimento sempre, mas não necessariamente para se fecharem
no mundo das especialidades, sem dúvida relevante, porém
precisamos cada vez mais do profissional generalista (vejam o aumento
de vagas em concursos para médicos nessa categoria, especialmente
para o PSF). Recentemente li sobre a necessidade de auto-suficiência
para o sucesso da carreira. No entanto, não podemos prescindir
do valor do trabalho interdisciplinar e multiprofissional. Por favor,
entendam o significado dessa expressão da maneira como ele
foi mencionado no artigo, de não cercear o avanço,
de não nos tornar "parte" das instituições
ou empresas para as quais trabalhamos, mas no sentido de sempre
buscar o novo, o melhor, sempre avançar. Como recentemente
me disse uma amiga, para não nos tornarmos o sapo que cozinha
com a água fervente, sem nos dar conta de que estamos alienados
do processo ao nosso redor!
Infelizmente, não tenho a fórmula mágica para
o sucesso, nem tampouco a solução para a crise...
mas carrego sempre esperanças! As minhas palavras de ordem
são: reflita sobre a sua prática, identifique suas
potencialidades e as ofertas disponíveis, busque o novo e
se preciso, ouse, seja sempre fiel aos seus princípios (se
necessário, reme contra a maré!), esteja sempre atento
ao que acontece à sua volta (conhecimentos gerais atualizados
são fundamentais para a vida!), sinta prazer no que realiza,
participe, faça, divulgue e aconteça!
Para finalizar, apenas um destaque à questão que considero
primordial: a participação. Não vejo outra
forma de modificar o que acreditamos estar errado ou inadequado,
senão participando ativamente das situações
em que essas mudanças possam ocorrer. Hoje em dia falamos
muito em divulgação da fonoaudiologia, e eu não
vejo outro caminho senão a participação seja
ela em eventos científicos, em conselhos e conferências
de saúde e educação, em ações
do bairro, na escola dos filhos e conhecidos... Sei que tenho uma
trajetória marcada pela saúde pública e muitos
se consideram à margem desta realidade, pois vêem no
SUS o retrato das mazelas da saúde no nosso país.
Lembro a todos que o mesmo SUS das filas e falta de atendimento,
é responsável por todo o planejamento e controle dos
convênios médicos, do funcionamento dos consultórios
particulares, da vigilância da qualidade dos produtos que
são comercializados até mesmo nos supermercados. Portanto,
não temos como prescindir desse contato! É preciso
participar!
Roberta Alvarenga Reis
robfono@gmail.com
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